Richa já decidiu, por Marcello e também pelo senado

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Nos idos de março, o governador do Paraná, Beto Richa, terá uma decisão diante de si: anunciar se deixará ou não o comando do Palácio Iguaçu para disputar uma vaga no Senado.

Há quem diga que nebulosidade, se havia, há muito dissipou-se. Richa será candidato porque almeja instalar-se em Brasília e dar prosseguimento à sua carreira política, talvez com pretensões ministeriais. E também porque também não está aí – e toda a família pensa assim – para atrapalhar a incipiente carreira política do filho Marcello.

SALVE-SE QUEM PUDER

Seu cuidado em anunciar a renúncia deve-se em muito ao clima de “salve-se quem puder”, depois de longos sete anos e três meses em que foi governador com a tranquilidade rara de um mandatário paranaense que mandou e fez-se obedecer.

Desde 2004, Richa está à frente do Executivo, seja na esfera municipal, em Curitiba, seja no estado. Em 14 anos, deixou os adversários comendo poeira, bem ao estilo do piloto amador da Classe Turismo.

MIDAS REVERSO

Seu único desafio, se é que existiu, foi a primeira campanha à prefeitura. Que não se criem cenários para a ópera bufa que o fez candidato do PSDB, escalando Cassio Taniguchi como vilão. Na hora do voto, Richa era a terceira opção, até o então governador Requião escantear o concorrente do PMDB, abraçar-se ao petista Ângelo Vanhoni ainda no primeiro turno e manter assim, a tradição, de nunca conseguir eleger um prefeito peemedebista na capital enquanto abancado no Palácio Iguaçu. Donde o apelido Midas Reverso lhe cair tão bem.

 

Marcello Richa: em plena e ampla campanha

Marcello Richa: em plena e ampla campanha

LEÃO DA MONTANHA

Agora que parece repetir o bordão do “Leão da Montanha” e adotar uma estratégia de saída previsível, crescem as especulações sobre a permanência de Richa, em boa medida alimentadas por ele mesmo.

 

PAI E FILHO

Pois não se enganem. Richa é tão candidato ao Senado quanto seu filho, Marcello Richa, é candidato a deputado federal.

Decisão do Tribunal Superior Eleitoral de 2006 estabeleceu que parentes de Chefe Executivo não podem se candidatar a cargo eletivo.

Com a pré-campanha do filho de Richa a pleno vapor fica difícil imaginar um erro tão trivial.

Ou o jovem Marcello estaria, por acaso, perdendo tempo em dinheiro, em acirrada campanha, e Beto Richa estaria pronto a ser a primeira pedra na futura carreira do jovem filho?

Os fatos estão aí: não custa enxergar realidades ainda não bem visíveis.

 

CIDA QUER FICAR

Trata-se de “mise-en-scène”. A ser repetida até quando Richa achar conveniente. Na hora certa (e ela aproxima-se), ele renuncia e transmite a Cida Borghetti o cargo de governadora, com a pretensão sabida de que nele ela pretende permanecer. E com muitas chances de se eleger em outubro, para o que tem um aliado top de linha, Ricardo Barros.

 

GASTEM O LATIM

Aos descrentes desse cenário, as conjecturas e especulações estão liberadas. Gastem o latim, se for necessário: “Quo vadis, Richa?” Para onde está indo Richa? E disponha-se a ouvir o mesmo tom desaforado que Jesus Cristo dirigiu a Pedro no caminho de Roma.